quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Naquele abraço

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depositei todos os hojes,
os agoras, os amo-te, os não vivo sem ti.
Naquele abraço que te confiei com tanto querer
dei-te a minha existência como a frágil flor dos campos.
Naquele abraço que me durou uma vida
revi tanto de nós, tanto de memórias e histórias.
Naquele abraço em que me apertaste o ser
fui água e sol e luz e lua e estrela e fui eu. Sim, eu sem máscaras de sorrisos,
de felicidade disfarçada,
de sentires que não podia ocultar.
Naquele abraço. Ai, pudera eu aconchegá-lo outra vez
e dir-te-ia provavelmente que era a melhor sensação do universo.
Naquele abraço havia a esperança do amanhã,
do caso contigo, do beija-me para sempre.
Para sempre. Falhámos ambos essa promessa. Faltámos ao prometido do eterno,
do não vás sem mim.
Naquele abraço com cheiro a jasmim e risos e choros eu queria permanecer ao teu lado.
Mas naquele abraço, meu querido, naquele abraço despedi-me de ti
porque sabia que o tempo ia com o vento
e por mais que eu quisesse não o conseguiria segurar.

Pensamento

à(s) quarta-feira, novembro 03, 2021 0 comentários
 Vejo os comboios a passarem apressados num ritmo frenético, o ritmo dos dias de hoje.
Estou sentada num parque, tem mesas de piquenique e um pequeno rio sujo com patos.
A vida vai-se desenrolando como se fosse um dos comboios que vejo e oiço.
Aproveito este tempo aqui parada para refletir sobre as pessoas, quem foi, quem ficou, quem partiu. Veio-me igualmente à mente a recordação de momentos agradáveis em que me ri e sorri ou de outros que me fizeram chorar, pensei nas escolhas que fiz, nas circunstâncias da vida e em como resolvi encontrar a felicidade.

A ilha dos feios

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Se eu mandasse, se mandasse no mundo só um bocadinho que fosse enviava todas as pessoas feias para uma ilha deserta para que apenas convivessem consigo e com as da mesma espécie. Teriam de se autossustentar, orientar na vida, fazer por si e pelos outros.

Ficariam lá desde que a sua personalidade fosse revelada até que provassem a especialistas que tinham mudado, que eram boas pessoas, caso contrário morreriam lá.

Obviamente, não me refiro à aparência física, mas ao interior, aos valores, ao que a muitos falta, lamentavelmente.

Pensamento

à(s) quarta-feira, novembro 03, 2021 0 comentários
Tenho medo da morte, da dor, de deixar partir quem amo, de desacompanhar quem quero manter por perto, de dizer adeus, de não tocar nem beijar quem sempre toquei e beijei, de parar de sorrir.
Receio a infelicidade, a tristeza, o não me recompor de um grande desgosto, a ausência, a solidão, perder-te, perder-vos.

Pensamento

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 Após mais de quarenta anos continuam a ver  os pombos e as gaivotas juntos.
Algumas pessoas chamam-lhe amor.
Eu chamo-lhe pais.

Quando te abracei sorrindo e sorri abraçando

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 abarquei todo um mundo, o teu.
E com a mesma naturalidade do primeiro sorriso
desconcertado e meio nervoso acolhi-te como a um ser indefeso.
Abracei-te as mágoas, as lágrimas, abracei-te o querer-te para sempre.
E tu foste ficando ajeitado nos meus braços como alguém que precisa de ser mimado e cuidado.
Quando te abracei sorrindo
e sorri abraçando
sabia que te amaria até morrer.

Ai, o que é isto que sinto cá dentro?

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Esta vontade de explodir chorando e de chorar explodindo.
Ai, o que é isto que sinto cá dentro?
Esta falta de ar constante como se estivesse fechada sem oxigénio.
Ai, o que é isto que sinto cá dentro?
O bater apressado do coração como galope de cavalo.
Ai, o que é isto que sinto cá dentro?
A cabeça pensando em mil assuntos ao mesmo tempo e ardendo de cansaço.
Ai, o que é isto que sinto cá dentro?
Será depressão, loucura, lucidez?
É viver, por certo. Mas podia ser mais tranquilo.

Gosto de reencontros

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 Estando sozinho na vida e no mundo, pois ninguém mais me resta perder, comecei a apreciar as pessoas que voltam a estar juntas independentemente do tempo que as separa. Podem ser meses, dias, horas, não sei. Também não interessa para a situação em questão.
Um dia numa esplanada movimentada pedi um café e pousei o jornal desportivo na mesa porque vi um rapaz aproximar-se de um lado e uma rapariga do outro. Pelo modo como sorriam e apressavam o passo percebi que se conheciam e tinham uma urgência quase animalesca de se sentirem e cheirarem. Seriam certamente namorados, irmãos ou bons amigos. Mas estavam genuinamente felizes por estarem ali, juntos.
Numa destas noites de temperatura amena resolvi caminhar e apanhar ar fresco enquanto recordava quem tinha sido, os que tinham passado por mim, quem não tinha ficado por opção ou condição. Encontrava-me a poucos metros do aeroporto. Não tinha pessoas para esperar e acenar sorrindo quando nos víssemos. Fui na mesma. Fui ver quem aguarda nas portas de chegada e sentei-me num banco de onde podia ter uma visão clara do panorama. Reconfortou-me aquele momento em que havia abraços e beijos e toques e ternuras. Passei a fazer destes instantes que não me pertencem uma rotina semanal. Por acaso, estou aqui agora no banco do costume. Tenho tempo para escrever porque o avião está atrasado.

Passear por entre as flores

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Entrou na pastelaria da pacata aldeia e matou-as a todas.
Assim que os dois pés passaram a porta sacou da arma e fez o que se tinha proposto fazer: consumar a morte há tanto planeada. Traçava o plano desde que ela o abandonara há anos. Tentou lidar com a ausência e o desgosto da perda, mas nunca conseguiu ultrapassar essas dores que doíam dentro do peito.
Lembrou-se dos passeios que gostaria de ter dado por entre flores e caminhos bonitos; das prendas que queria ter recebido; dos momentos que ansiava ter partilhado. E o vazio que sentia.
Depois de disparar nos seus corpos indefesos aproximou-se dela e contemplou-lhe o rosto, era bonita. Baixou-se um pouco para lhe tocar nos cabelos e sentir como eram macios e cheirosos.
Antes de se levantar passou os dedos pelo contorno do rosto e disse baixinho: mãe.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Com um livro

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários
eu já viajei e já fiquei;
já ri e já chorei;
já me senti bem e já me senti mal;
já concordei e já discordei;
já tomei anotações e já não quis escrever nas margens;
já me identifiquei com as personagens e
já achei que não tinham a ver comigo;
já adormeci e já não quis adormecer para ler mais.
Com um livro nas mãos sou e serei feliz.


Pedro, Bia, Joaquim, Susana

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Partiram por esta ordem e
pela mesma ordem lhes sinto saudades.
Ficaram memórias de todos.
Ficaram, não partiram com elas e eles.
Fiquei eu, igualmente, sofrendo a perda dos meus avós
por entre expressões muito próprias que diziam
e que o tempo não apaga;
por entre lembranças de uma infância feliz
e cheia de amor.
Pudera eu voltar a abraçar cada um deles,
pudera eu dizer -lhes que nem a ausência levou
a falta que me fazem.

Pensamento

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 Amo-te um milhão de infinitos

Este ano está a ser tramado

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários
e o anterior também foi.
O universo colocou-nos a todos por igual,
a única coisa positiva.
Passámos a usar máscara que esconde o sorriso ou a dor; a não dever beijar nem abraçar aqueles que sempre tocámos; a estar longe; a ter horas para chegar a casa lembrando adolescentes; a desinfectar as mãos como se continuamente tocássemos em sujidade; a recear o outro.
Que triste é termos medo dos da nossa espécie!

M.K.

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 Chegas a casa todas as noites, envolves-me no teu abraço e dizes baixinho que me amas. Fico sempre pensando de início que estou a sonhar, mas quando te olho bem profundamente percebo que és real.

Retribuo o conforto que me fazes sentir e sorrio como uma criança feliz. Afinal, não somos todos um bocadinho crianças?

Pensamento

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários

Encontrei no cheiro a terra molhada o toque dos teus dedos no meu cabelo e nas ondas do mar o abraço do teu aconchego e deixei-me ficar.

Pensamento

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários

 O que resta de nós quando um partir?

Apenas memórias, recordações de sorrisos, de abraços. E como sabe bem o teu!

Não apresses o ritmo das coisas, meu amor,

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários
não queiras que uma vida inteira caiba numas horas, num momento.
Ainda não temos o poder de mudar o passado, ainda não temos o poder de adiar o futuro.
Pudesse eu fazê-lo e ficarias eternamente aqui,
eternamente para mim.
Ouves? Ouves os violinos?
Contratei músicos para te animarem.
Recordas-te daquela tarde na praia?
Tu e eu, um pedido de casamento.
Os teus amigos artistas.
Pois é, meu amor,
aqui estão eles agora a tocar para ti, só para ti.
Tivesse eu a força de mudar os acontecimentos,
de tirar essa tua dor,
agarraria nela e fá-la-ia explodir.
Eu disse que te protegeria de tudo, perdoa-me!
Não te protegi da angústia e do medo de partir.
Também eu tenho medo, sabes?
Não apresses o ritmo das coisas, meu amor,
fica mais um pouco.
Será que ainda me consegues ouvir?

Pensamento

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários

    Uma árvore morreu na praia.

Eu não morri com ela.

Abraça o vento

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários
Havia um vento numa terra, um vento descontente num lugar de gente amarga.
Ninguém se abraçava, ninguém se beijava temendo ficar sensíveis ao toque humano, receando gostar de carinho.
E aquela brisa desconcertante que rápido passava queria parar, porém, a sua impulsividade impedia-a, sendo sempre ventania destemida.
Mas naquele dia de sol enquanto folgava desceu à água respirando fundo, sentindo o quente dos raios e a frescura da água em contraste. Pelo caminho tocava ao de leve nos seres com que parecia cruzar-se e reparou que sorriam entre si e olhavam-se como se fosse a primeira vez. Talvez tivessem leves cócegas à sua passagem. Também ele sorriu, tornando-se vento alegre num sítio onde os humanos pareciam ter aprendido a amar.

Como tu

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários
Fui grão de areia de um deserto sem nome
como tu.
O vento levou-me por entre multidões
e mares e lugares lindos
como tu.
E fui noite escura com medo de sonhar,
pois naquele universo infinito aparecias-me
e com a mesma grandeza e subtileza ias.
Acompanhei-te sempre nas idas e vindas,
nos caminhos constantes do teu ser.
Eu era tu tantas vezes,
tantas que deixei de me sentir.
Parei.
Nesse instante percebi que tinha mergulhado
bem fundo em ti. Eu em ti.
Quando deixei de ser para me tornar
entendi que não era esse o meu caminho.
Como tu
segui seguindo trilhos,
vagueei vagueando.
Como tu
eu não voltei.

Pensamento

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários

Enquanto ouvirmos os sinos tocar saberemos que é pelos outros.

Ouviremos quando for por nós?

Pensamento

à(s) quinta-feira, maio 13, 2021 0 comentários

 Andam muitas pessoas pela nossa vida, umas vão embora ficando, outras ficam indo.

Algumas são uma ventania desconcertante; outras a fúria de uma tempestade que passa, deixa marca, mas não queremos que volte!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Sem-abrigo

à(s) segunda-feira, janeiro 25, 2021 0 comentários
Cabeça curvada, ar pesado como quem leva o mundo consigo.
Cabelo desgrenhado, sapatos sem cor, meias rotas.
Roupas de um tamanho que não é o seu, olhar perdido, trouxa às costas.
Tornou-se sem-abrigo quando perdeu o emprego e a mulher o deixou, quando a filha não mais o encarou como pai.
Ficou nas ruas, ficou só, ficou! E neste estar dizia ser feliz à sua maneira! Seria?

Feliz

à(s) segunda-feira, janeiro 25, 2021 0 comentários
 O vento soprava forte naquela tarde de Inverno. Ela estava em casa no aconchego da mantinha de lã, do chá quente e do seu livro. Não viajava sem um livro, não aguentava estar sem um para ler e se deliciar!
Sentada no seu sofá pensou que era feliz, tinha o mais importante, a saúde, uma família que adorava, amigas do coração e uma casa pequena, mas confortável. Sorriu! Sou feliz, pensou!
E deixou-se ficar sonhando.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A miúda de máscara sentada no banco do carro

à(s) sexta-feira, dezembro 11, 2020 0 comentários
Passei por ela quase sem notar a sua presença. Havia uma fila de carros estacionados e ao acaso olhei para o interior de um deles. Ela estava no banco de trás praticamente imóvel, apenas mexia o olhar à minha passagem.
Continuei o meu caminho pensando nela, parecia infeliz, assustada. Será que eu poderia ter feito alguma coisa para a ajudar?

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Ouve lá, já te contaram do vento?

à(s) segunda-feira, novembro 30, 2020 0 comentários
 Aquele que sopra desenfreado levando e trazendo notícias, que mete medo nuns dias e sabe bem noutros?
Ouve lá, já te contaram do vento?
O que espalha aromas e sensações e viaja pelo mundo?
Ouve lá, já te contaram do vento?
Se ninguém o fez conto-te eu!

M.J.

à(s) segunda-feira, novembro 30, 2020 0 comentários
Quando me ligaram a dizer que tinhas partido comecei a relativizar os meus problemas, as minhas mágoas, pois não representam praticamente nada tendo em conta a tua história de luta e dor.
Por detrás do teu sorriso tímido e do olhar triste e tranquilo escondias uma força digna de louvor.
Sem querer ferir suscetibilidades pergunto-me que divindade permite que uma mãe tão nova morra.
Como disseram ao teu marido que ficou viúvo?
Como disseram à tua família que tinhas ido?
Como explicaram às tuas filhas que não voltavas a brincar com elas?
M. J. morreste de cancro e eu lamento muito.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

De onde vens?

à(s) quarta-feira, novembro 18, 2020 0 comentários
Venho do teu abraço, do aconchego do teu colo, do lar que criaste para nós.
Venho do teu coração, da magia da tua presença, do amor que sinto por ti.
Venho da janela rasgada para o mar e da montanha mais alta da minha terra.
Sim, é de lá que eu venho!
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 -Hoje é quarta-feira avó, estou a ir para o voluntariado.

-Ai filha é verdade! Esta cabeça! Sabes? Ando muito esquecida.

-Andamos todos assim, olha eu! Sou mais nova do que tu e tenho uma memória péssima. A tua ainda é melhor!

-Não te vou empatar ao telefone, era só para saber como estás.

-Não empatas avó, tenho sempre tempo para a minha Suzy! Estou bem e tu? Tens cuidado de ti?

Ontem foi quarta-feira e tu não ligaste, nunca mais ligas.

És feliz?

à(s) quarta-feira, novembro 18, 2020 0 comentários

Ela encontrou o senhor L. à porta do banco, sorriu e cumprimentou-o como sempre. Ele retribuiu e falou de si, de como a mulher estava doente no lar, da solidão que ele sentia em casa com a sua própria companhia apenas. Depois, olhou para ela já feita mulher e perguntou: és feliz? Eu respondi, sim e devolvi a ternura da sua questão no meu sorriso mais sincero.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Pensamento

à(s) sexta-feira, novembro 06, 2020 0 comentários

Sabes? No mar profundo do teu olhar ganhei-me, encontrei-me. Por mim, por ti, por um nós que vamos construindo

Pensamento

à(s) sexta-feira, novembro 06, 2020 0 comentários

No mar do teu coração vejo a minha alma e reconheço o meu ser

Pensamento

à(s) sexta-feira, novembro 06, 2020 0 comentários

 Sabes que sem ti o mar perde as ondas e os peixes entristecem?

sábado, 24 de outubro de 2020

Senta-te, escolhe um lugar confortável

à(s) sábado, outubro 24, 2020 0 comentários
e pensa na vida, em como podes ser melhor para ti e para os outros. 

Senta-te, escolhe um lugar confortável e analisa o teu comportamento, imagina a pessoa que és e a que queres ser. 

Senta-te, escolhe um lugar confortável, faz alguém sorrir, sê altruísta e feliz!

Contemplando o horizonte

à(s) sábado, outubro 24, 2020 0 comentários

Olhei o mar, as ondas, a força da maré contra as rochas.

Vi como é bonita a natureza e o quão sortudos somos por termos a oportunidade de fazer parte dela. 

Se não a destruirmos podemos contemplá-la todos os dias. Se não a destruirmos!

Canalizar

à(s) sábado, outubro 24, 2020 0 comentários
A mágoa e a raiva que às vezes sentimos (porque somos humanos) não nos levam a bom porto, mas tornam-nos pessoas amargas, desconfiadas, sombrias. 

Se conseguirmos, se ao menos tentarmos, canalizá-las para algo positivo seremos melhores para nós e para os outros. Certamente, vamos sentir-nos mais felizes, leves, humanos! 

É um trabalho demorado, um percurso a seguir, uma etapa de cada vez e seremos livres como a água que corre serena. Serena!

sábado, 10 de outubro de 2020

Na casa fechada

à(s) sábado, outubro 10, 2020 0 comentários
vazia de pessoas havia janelas coloridas. 
Na casa fechada ao pé do castelo existiu uma família. 
Na casa fechada que a vida encerrou agora resta nada do nada que nós somos. 
Na casa fechada os sonhos deixaram de o ser. 
Na casa fechada os olhos não mais vêem as injustiças que há no mundo.

Pensamento

à(s) sábado, outubro 10, 2020 0 comentários
- Ficas esta noite? 
- Não fico nesta nem depois. Não tem a ver com amor, mas com a sensação de liberdade. Não sei viver preso. 
- E eu?
 - Tu és como um moinho, não vives sem vento. Aproveita-o!

Pensamento

à(s) sábado, outubro 10, 2020 0 comentários
Pega no teu barco e vai, navega para onde possas ser feliz, seja num prado verdejante ou por entre os prédios de uma grande cidade. 
Mas vai, não fiques onde o coração não acelera, onde não sorris, onde não tens paz interior. 
Não te fala um sábio nem um mestre, apenas uma mulher que quer a felicidade e a harmonia.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Sonho? Utopia? Loucura? Seria o meu mundo!

à(s) sexta-feira, setembro 25, 2020 0 comentários
Todas as doenças deviam ser ligeiras e ter cura, mas existirem apenas para que os médicos e enfermeiros pudesssem trabalhar. 

Todos os fogos deviam ser pequenas chamas inofensivas para podermos ter bombeiros. 

Todos os maus do mundo nunca existiriam. 

As pessoas boas viveriam muitos anos e seriam felizes. 

Todos teríamos direito a casa, saúde, comida e educação, trabalhando só para ter melhores condições de vida.  

Seríamos todos justos e honestos. 

Os animais e as plantas seriam cuidados com carinho. 

Amar-nos-íamos sem reservas nem dor. 

Sonho? Utopia? Loucura? Seria o meu mundo!

Pensamento

à(s) sexta-feira, setembro 25, 2020 0 comentários

Sou quem sou e quem sei ser, quem aprendo a tornar-me com o tempo, a maturidade e a experiência de vida. 

Sou apenas eu!

Continuar na solidão

à(s) sexta-feira, setembro 25, 2020 0 comentários
Ela não queria continuar naquela solidão, naquele passar de tempo à espera não sabia de quê nem de quem. 
Esperava mais um dia, umas horas, uma vida inteira que lhe passava em frente dos olhos sem ter capacidade de a agarrar, de lhe dizer como quer vivê-la: feliz, sorridente, acompanhada! 
Não queria continuar a olhar para os outros e a sentir-se sempre sozinha, perdida, ignorada, rejeitada. 
Não queria continuar naquela solidão, na aventura sem limites que é a existência, sem regras, sem ninguém. 
Sabia que merecia mais e esse mais era viver intensamente, abraçar, amar e rir. Rir tanto! 
Assim, em vez de se lamentar mudou a mente e saiu à rua. Comprou flores, um livro e sentou-se lendo no jardim da sua cidade.

sábado, 29 de agosto de 2020

Somos humanos,

à(s) sábado, agosto 29, 2020 0 comentários

suportamos muitas adversidades, perdemos pessoas que amamos e continuamos de pé. 

Somos magoados, feridos de várias formas que nos custam explicar e continuamos de pé. 

Fazemos mal aos outros, agimos de forma inconsequente e malvada e continuamos de pé. 

Estaremos sempre de pé até um dia! 

Mas seremos vítimas ou predadores?

Caminhando

à(s) sábado, agosto 29, 2020 0 comentários

Ela chegou à esplanada, sentou-se, pediu um café curto e um copo com água fresca. Apreciou a bebida, acabou com a sede que sentia, pagou e deixou aquele lugar. Começou a caminhar, tinha feito uma despedida à sua maneira momentos antes, ligou às pessoas mais importantes e disse que as amava. Não tinha mais palavras para partilhar. 
Andou até deixar de saber onde estava, andou até que deixaram de saber onde ela estava.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Pensamento

à(s) quarta-feira, agosto 19, 2020 0 comentários

Estás perdida de ti num recanto do mundo que te é estranho. Lutas contra a tendência de uma existência que não te serve e não se ajusta a ti. Mas o mais importante é que a tua persistência será sempre mais forte do que a vontade de desistir.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Não distanciamento

à(s) terça-feira, agosto 11, 2020 0 comentários
Pela primeira vez na minha vida passei quatro meses sem ver os meus pais durante a pandemia, tal como muitas outras pessoas em todo o mundo. Custou-me muito, só eu consigo recordar aquilo que senti durante os dias em que os sabia bem, felizmente, mas longe como sempre. Porém, desta vez eu não podia visitá -los nem recebê -los em minha casa.
Vi-os há cerca de dois meses após uma ausência que parecia infinita, pusemos os três as nossas máscaras e demos um forte abraço. Não pudemos evitá-lo! Somos humanos!
Depois afastámo-nos, tirámos as máscaras e apenas demos um toque no cotovelo. Mais tarde, repetimos o ritual para nos despedirmos antes de eu voltar para casa, a minha outra casa, pois ali será sempre também o meu lar!
Vim de coração transbordante de amor e mimos! Vim feliz!
Cometi o delito de não distanciamento por breves instantes em consciência e soube-me tão bem!

Guerreira

à(s) terça-feira, agosto 11, 2020 0 comentários

Ela pegou na espada e matou-os um a um, aqueles que a tinham magoado, que a tinham humilhado.
Acertava-lhes em cheio onde sabia que morreriam em minutos, não antes sem os olhar nos olhos, não antes de verem o seu desprezo, o que sentia por a terem feito chorar algum dia, algum momento.
Sorria na altura em que se iam fechando para esta vida e partiam esvaindo-se em sangue como se sangue fosse o que os prende aqui.
Sentia alívio, nunca culpa nunca remorso, sempre alívio!

Sendo vento parti

à(s) terça-feira, agosto 11, 2020 0 comentários

e levei-te as lágrimas
e as tristezas
para que possas sorrir.
Sendo vento parti
e soprei lá longe
onde nem sabemos que existe mundo,
onde nem sabemos que existe vida.
Sendo vento parti
e por onde andei
vi pessoas e lugares inimagináveis,
passei por animais selvagens
correndo livres.
Sendo vento parti
partindo só
e só andando,
vagueando como apenas eu sei!

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Suzy

à(s) segunda-feira, julho 20, 2020 0 comentários

Não morras avó, pedi-te baixinho enquanto todas as perspectivas se encaminhavam para esse desfecho.
Mas tu morreste porque a idade tem idade e as pessoas velhinhas têm o corpo cansado dos anos.
De ti guardo memórias infinitas de tempos de avó e neta, são tantas que um livro não chegaria para as descrever. Ficam os teus conselhos sábios, os envelopes escritos à mão com as prendas de anos e Natal, a tua voz feliz a dizer que sou a tua loirinha e que tens a sorte de ter uma neta loira e uma morena, as nossas conversas sobre livros e tantas outras palavras trocadas.
Nós sabemos o quanto amas a tua família e tu partiste com a certeza de que és amada.

terça-feira, 14 de julho de 2020

M

à(s) terça-feira, julho 14, 2020 0 comentários

M de Moura.
M de mágoa.
M de morte.
M do tamanho da dor de uma vila inteira que te perdeu.
Um dia disseste que querias escrever um livro para contares a tua história e que gostavas que eu te ajudasse. Disse-te que adorava o desafio, mas pedi-te que recuperasses primeiro.
Quis o Universo levar-te antes de concluirmos o teu projeto, por isso, meu querido, presto-te homenagem de pé.
Até um dia no infinito!

Sendo

à(s) terça-feira, julho 14, 2020 0 comentários

Sou pranto do pranto,
lágrima vazia
desprovida de sentir.
Sou ar do oceano,
maré cheia
e rocha madura.
Sou cheiro de flor,
natureza florescida,
animal sem trela.
Sou o conforto do abraço,
beijo com sabor,
montanha sem árvores.
Sou tinta sem caneta
que não deixa de escrever
em papel sem letras.
Sou pássaro cantador
de poleiro distante
numa gaiola sem grades.
Sou paixão alentejana,
amor universal.
Sou!

segunda-feira, 6 de julho de 2020

27

à(s) segunda-feira, julho 06, 2020 0 comentários

27 lágrimas choradas.
27 palmos de terra.
Como se diz a uma mãe que o filho morreu?
Como se diz a um pai que o filho morreu?
Como se diz a alguém que perdeu um irmão?
Como se diz explica que partiste?
Como ficam aqueles que deixaste?
Imagino-te correndo desenfreado pelas águas frescas de uma cascata sendo livre, 
sendo feliz!
Até um dia meu amigo!

terça-feira, 30 de junho de 2020

Pensamento

à(s) terça-feira, junho 30, 2020 0 comentários
Quando tudo isto acabar eu vou-te abraçar, vou-te beijar.
Será sem máscara, sem receios.
Quando? Não sei. Mas vou fazê-lo!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Como podemos

à(s) segunda-feira, junho 22, 2020 0 comentários

ainda amar aqueles que nos magoam?
Como podemos escolher direções incertas na esperança de serem as corretas?
Como podemos duvidar de nós quando nos deitam ao chão?
Como podemos não acreditar que conseguimos quando todos nos pedem para desistir?
Tão pouco nos valorizamos às vezes!

É um privilégio

à(s) segunda-feira, junho 22, 2020 0 comentários
ver o sol pôr-se no mar.
É um privilégio dormir numa cama confortável com lençóis cheirosos.
É um privilégio ter uma família à qual telefonar e amigos com quem sair.
É um privilégio comer, beber e ter roupa.
É um privilégio abraçar quem amamos.
É um privilégio sorrir e rir
e dar gargalhadas.
É um privilégio ter saúde.
É um privilégio ter trabalho.
É um privilégio estar vivo.
Obrigada universo!

Ciclo

à(s) segunda-feira, junho 22, 2020 0 comentários
Se amanhã eu chorar
vou lembrar-me que hoje fui feliz
e provavelmente irei sorrir!
Se voltar a chorar recordar-me-ei
de quando ri e rirei de novo!

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Alimentando pássaros

à(s) segunda-feira, junho 01, 2020 0 comentários
Um homem só dava comida a pássaros sós numa varanda branca de uma vila alentejana.
Sempre que comia juntava pequenos pedacinhos de pão para os seus amigos com asas. Esticava a toalha deixando cair aquelas pequenas refeições que faziam sobreviver muitas famílias.
Fazia-o por gosto e para manter vivos alguns dos seres que o rodeavam, já que todos os outros tinham partido.

Ela não lhes disse que ia chegar

à(s) segunda-feira, junho 01, 2020 0 comentários

Eram uma família tradicional num bairro tradicional.
Eram felizes, realizados até!
Mas ela veio sem avisar, devagar como quem tem medo de acordar alguém que dorme.
E eles dormiam adormecendo sonhos e fazendo planos e pensando em praias nas férias de verão e em mantas quentinhas no inverno.
Veio e roubou-o!
Veio e tirou-lhes tudo!
E partiram deixando ficar gente sofrendo, gente de luto e lágrimas, aqueles que saíram do bairro e lutaram contra a saudade o resto da vida.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Erros

à(s) segunda-feira, maio 18, 2020 0 comentários
Cada vez que tenta,
que se esforça
por não repetir os mesmos erros
eles perseguem-na como animais selvagens,
como bocas do inferno em chamas
que não a deixam respirar,
a sufocam,
lhe tiram parte de si mesma,
da alegria e vontade de viver.
É um não parar de tormentos,
problemas, desilusões,
choro, mágoa, desespero, solidão.
É drama atrás de drama,
trauma após trauma,
dor com dor,
luta sem resultado,
batalha sem vencedores, só vencidos!
E cada vez,
cada vez que alguma coisa pode mudar
volta a ilusão, o erro, a desilusão,
regressa aquela solidão infernal que a persegue e consome,
que vive dela e para ela todos os dias da sua vida.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

É mau sinal

à(s) segunda-feira, maio 11, 2020 0 comentários
quando esqueces o meu nome
e o que fui para ti.
É mau sinal
quando vagueias pela rua como alguém sem lar.
É mau sinal
quando o teu sorriso se desvanece numa tempestade de lágrimas.
É mau sinal
quando olhas aquela foto
e já não sentes nada.
É mau sinal
quando não te conforta
o calor do sol.
E eu? O que sinto eu?

Como se nunca tivesse nascido

à(s) segunda-feira, maio 11, 2020 0 comentários

A rotina cansa às vezes. A dela estava a consumi-la dia após dia.
Foi de férias com duas amigas e a viagem não podia ter-lhe sabido melhor! Conheceram dois países em cinco dias, visitaram monumentos, foram a bares, comeram em restaurantes agradáveis e sentiam-se alegres.
Porém, ela não partilhava a mesma satisfação das amigas, não conseguia rir como elas, descontrair como elas.
Durante uma tarde enquanto passeavam numa rua movimentada um autocarro parou à sua frente, ela olhou para as duas companheiras de viagem pela última vez, primeiro séria e depois sorrindo levemente e entrou.
Destruiu o telemóvel e o cartão, levantou todo o seu dinheiro e desapareceu como se nunca tivesse nascido.

Contei-lhes sobre nós,

à(s) segunda-feira, maio 11, 2020 0 comentários

disse-lhes o quanto aprecio o teu sorriso,
o teu olhar intenso
e a forma vaidosa como cuidas do teu cabelo!
Contei-lhes sobre nós,
mencionando o que o meu coração sente quando te vê,
como todos os pelinhos dos meus braços
se eriçam com o teu toque
e falei das palavras bonitas que me murmuras.
Contei-lhes sobre nós,
referindo que cada mensagem tua
e cada abraço muda o mundo,
o meu mundo!
Contei-lhes sobre nós
e o quanto eu te amo!

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Ninguém nos preparou

à(s) quarta-feira, abril 15, 2020 0 comentários
para não nos podermos abraçar nem tocar.
Ninguém nos preparou
para vermos notícias em que morre tanta gente pelo mundo todo.
Ninguém nos preparou
para nos mantermos longe de quem amamos por tempo indeterminado.
Ninguém nos preparou
para termos liberdade condicionada.
Ninguém nos preparou
para vermos o sol de uma janela e os amigos num ecrã.
Ninguém nos preparou
para ouvirmos as vozes dos nossos familiares sem lhes podermos beijar os rostos saudosos.
Ninguém nos preparou
para recearmos sair de casa. Ninguém!
Nunca ninguém nos ensinou a sentir o que sentimos agora.
Mas nós adaptamo-nos porque o ser humano tem uma capacidade gigante de encontrar beleza no meio do caos.
A quem dá a vida por todos nós: gratidão eterna!

O nome que eu te dei

à(s) quarta-feira, abril 15, 2020 0 comentários
Não sei se te contei, mas na noite passada sonhei contigo. Estávamos num bar a dançar uma daquelas músicas de que gostamos e reparei que alguém te olhava de soslaio. Fiquei preocupada por momentos! Olhei a pessoa nos olhos com ar de desafio e senti-me uma guerreira do século XXI! Ela retribuiu por instantes e sorriu demoradamente enquanto também te mirava os movimentos. Disseste que não ligasse e fomos ao bar buscar outra bebida. Ela seguiu-nos, chamou-te pela tua alcunha e, com ar de gozo, afirmou que eu podia ficar contigo porque ela se tinha cansado.
Acordei com a respiração ofegante e quando olhei para o lado tu dormias tranquilamente.
Pensei noutro nome para ti, um que fosse só nosso e encontrei-o, passei a chamar -te ilusão!

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Pensamento

à(s) sexta-feira, abril 03, 2020 0 comentários
Ele aproximou-se devagarinho como se temesse uma assombração!
Olhou a inscrição na sepultura dela. Dizia:
desisti de amar e não amando morri.

Pensamento

à(s) sexta-feira, abril 03, 2020 0 comentários
No meio do caos descobri o amor.
Não sei se é para sempre ou para agora,
embora eu queira que dure para a vida.
Sei apenas neste momento que é amor! E isso basta-me!

terça-feira, 24 de março de 2020

Então, mãe?

à(s) terça-feira, março 24, 2020 0 comentários
Não mãe, está tudo bem. Vamos fingir que não aconteceu. Tu não me bateste outra vez sem razão e eu não estou magoado. Olha, quase já nem estou a chorar. Vês? Até pareço um menino grande e muito corajoso!
Gostava muito que hoje me desses um abraço, sabias? Parece que nem me lembro da última vez que tivemos um dia de mimos! Será que houve algum?
Amanhã podíamos fazer um programa giro, apetecia-me ir ao cinema e adorava ir comer um hambúrguer. Os meus amigos dizem que há uns muito bons naquele café aqui perto de casa. Tenho vergonha de lhes dizer que não tenho dinheiro para os acompanhar e invento sempre uma desculpa. Mas fiquei curioso para saber como é o sabor deles e daquelas batatas fritas que vêm naqueles pacotinhos!
Se não pudermos ir não vou fazer nenhuma birra. Vou ficar um bocadinho triste, mas vai passar. Passa sempre, não é mamã? O importante é estarmos juntos, mesmo que estejas quase sempre zangada e a beber álcool.
Mãe? Mamã? Não respondes?
Ah, já percebi. Cansaste-te de viver! Desculpa insistir.

Pensamento

à(s) terça-feira, março 24, 2020 0 comentários
Hoje não me dá jeito perder-te,
está a chover.
Ontem não me dava jeito perder-te,
estava muito sol.
Amanhã não me dará jeito perder-te,
ficarei triste.

Pensamento

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Quero segredar-te os meus anseios murmurando-te em estrangeiro que os sorrisos que nos arrancam não voltam mais e nós vamos entristecendo lentamente numa melancolia sentida e muito própria que nos vai definindo enquanto seres.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O som do teu piano

à(s) sexta-feira, fevereiro 28, 2020 0 comentários
Ficaria a ouvir-te a noite toda ao som do teu piano imaginando-me numa floresta longínqua com um vestido de princesa e um sorriso nos lábios. Serias tu o príncipe gentil pronto a ajudar quem necessitasse numa eterna missão. Darias o teu tempo e a tua generosidade em prol dos outros e nada mais faria sentido no teu universo.
Ficaria a ouvir-te a noite toda!

Fazer o bem

à(s) sexta-feira, fevereiro 28, 2020 0 comentários
Ele abriu os largos portões do castelo, saiu demoradamente e um pouco receoso. Montou o seu cavalo castanho de longas crinas e percorreu todo o bosque por entre a vegetação e a água que corria num pequeno ribeiro fresco.
Passaram duas horas. Finalmente chegou!
Desmontou, sorriu, estava genuinamente satisfeito!
Pousou o saco em cima do tronco de uma árvore, arregaçou as mangas e pôs mãos à obra depois de cumprimentar a população.
Há meio ano que estava a ajudar a reconstruir a aldeia que tinha sido destruída pelo temporal.
No fim do dia montava de novo, fazia o percurso de volta sorrindo e sentindo que tinha feito o bem a quem merecia.
Ele abriu os largos portões do castelo e entrou demoradamente.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Pensamento

à(s) segunda-feira, fevereiro 17, 2020 0 comentários

Apesar das lágrimas e da saudade
doía-me mais ver-te sofrer
do que saber-te morto
imaginando-te a ondular
por entre a espuma do mar.

Quem somos afinal?

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És a dama de sorriso fácil e brilho no olhar.
Sou um gajo da noite, de bares e dj's, de não ter paradeiro certo no final da madrugada.
És a miúda que gosta de cultura e de viajar e que acredita que ninguém é feliz sem amor.
Sou o puto que se orienta na vida longe da família e de cabeça confusa, de pensamentos contraditórios e personalidade fechada.
És a donzela sensível que chora nos filmes e adorava receber uma carta romântica.
Sou o eterno homem que não se encontra e não se dá a conhecer.
Será que nos completamos ou que nos destruímos?

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Olha lá, sabes o que sinto?

à(s) segunda-feira, fevereiro 10, 2020 0 comentários

Será ainda um mistério para ti?
E quando sorrio? Pensarei em quem?
Não te faças de desentendido!
Sabes tão bem quanto eu que os meus olhos se viram sempre na mesma direcção: a tua!
Vamos passear de mãos dadas pela praia? Sabes que sou uma romântica!
Podíamos ir ao fim do dia para vermos o sol esconder-se dentro do mar!
Até podes escolher um filme e irmos ao cinema depois, se meter medo agarro-me logo a ti!
Um destes dias fazemos o jantar em casa, abrimos uma garrafa daquele vinho que tu adoras e pomos música. Danças comigo na sala? Pode ser descalços.
O que me dizes?
Então!? Não respondes?
Ah pois é, já foste embora!

Hei J

à(s) segunda-feira, fevereiro 10, 2020 0 comentários
e alimentação cuidada.
Hei J
de passeio pelo jardim
e conversas longas com os amigos,
de sangue de negociante
e condutor de muitos quilómetros.
Hei J
mais velhinho no lar
comendo bolachas molinhas
com ar feliz para quem te visitasse.
Hei J
quase sem força para tossir
e sorriso ténue,
sem sabermos se nos reconhecias
ou se éramos estranhos
que te beijavam o rosto.
Hei J
que partiste de madrugada
deixando lágrimas nos nossos olhos
e feridas nos nossos corações.
Hei J
tu sabes o quanto gostamos de ti!

Ensinei-te

à(s) segunda-feira, fevereiro 10, 2020 0 comentários

a amar incondicionalmente
mesmo quando eu tinha o coração tão ferido
que pensava ter perdido a capacidade de sentir.
Ensinei-te
a cuidar dos outros
mesmo depois de eu ficar só cuidando de mim.
Ensinei-te
a aceitar o que o universo nos dá
mesmo sabendo que ainda não me ofereceu o suficiente.
Ensinei-te
a ensinar para que um dia quando eu morrer
possas tu dedicar-te a outras pessoas.

Pensamento

à(s) segunda-feira, fevereiro 10, 2020 0 comentários

Se o tempo que passei amando
naquele momento fez sentido
então não foi em vão,
foi viver escutando apenas o coração!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Pensamento

à(s) quinta-feira, janeiro 30, 2020 0 comentários

Hoje desconectei-me do mundo
para me conectar a mim
e me amar tal como sou!

Páginas de um amor

à(s) quinta-feira, janeiro 30, 2020 0 comentários

Ela chega com ar confiante à sala da livraria onde iria ter lugar a apresentação do último livro de um escritor conhecido.
Ele estava sentado num cadeirão castanho perto de algumas estantes repletas de livros, ao seu lado o editor trocava umas palavras com o gerente do espaço.
Entretanto começou a apresentação propriamente dita e os agradecimentos devidos. Por fim, o escritor deixou tempo livre para os presentes colocarem questões antes dos autógrafos tão desejados.
Ela aproveitou a oportunidade e o momento:
- Boa tarde, li o seu livro e tenho uma pergunta para lhe fazer.
-Boa tarde, obrigado por ter vindo. Responderei com todo o gosto!
-Qual é o motivo pelo qual o seu livro é tão machista, tão redutor no papel da mulher na sociedade e nos retrata como seres desprovidos de inteligência?
-Bem, é apenas uma história, é ficção. Não tenho absolutamente nada contra o sexo feminino. Muito menos tive intenção de magoar alguém. Lamento se o fiz.
Ela levantou-se e saiu. Ele ficou incomodado, mas sorriu e assinou os livros dos admiradores.
Mais tarde, no seu quarto de hotel lembrou-se da raiva daquela mulher e da amargura no seu olhar. Recordou também como era bonita e como as veias salientes do seu pescoço lhe conferiam um ar de guerreira.
Na manhã seguinte numa esplanada da cidade ela estava sentada embrenhada na sua leitura quando ouve o arrastar de uma cadeira perto da sua mesa. Era ele! Olharam-se e sorriram. Ele pediu desculpa e prometeu que no próximo livro ela seria a protagonista. Ela riu com vontade e pagou-lhe um café.
Muitos livros escreveria ele ainda com a sua musa ao lado!

 

Pensamentos de uma vida, por Ana Rita Ramos Copyright © 2010 Design by Ipietoon Blogger Template Graphic from Enakei