Estando sozinho na vida e no mundo, pois ninguém mais me resta perder, comecei a apreciar as pessoas que voltam a estar juntas independentemente do tempo que as separa. Podem ser meses, dias, horas, não sei. Também não interessa para a situação em questão.
Um dia numa esplanada movimentada pedi um café e pousei o jornal desportivo na mesa porque vi um rapaz aproximar-se de um lado e uma rapariga do outro. Pelo modo como sorriam e apressavam o passo percebi que se conheciam e tinham uma urgência quase animalesca de se sentirem e cheirarem. Seriam certamente namorados, irmãos ou bons amigos. Mas estavam genuinamente felizes por estarem ali, juntos.
Numa destas noites de temperatura amena resolvi caminhar e apanhar ar fresco enquanto recordava quem tinha sido, os que tinham passado por mim, quem não tinha ficado por opção ou condição. Encontrava-me a poucos metros do aeroporto. Não tinha pessoas para esperar e acenar sorrindo quando nos víssemos. Fui na mesma. Fui ver quem aguarda nas portas de chegada e sentei-me num banco de onde podia ter uma visão clara do panorama. Reconfortou-me aquele momento em que havia abraços e beijos e toques e ternuras. Passei a fazer destes instantes que não me pertencem uma rotina semanal. Por acaso, estou aqui agora no banco do costume. Tenho tempo para escrever porque o avião está atrasado.
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