Entrou na pastelaria da pacata aldeia e matou-as a todas.
Assim que os dois pés passaram a porta sacou da arma e fez o que se tinha proposto fazer: consumar a morte há tanto planeada. Traçava o plano desde que ela o abandonara há anos. Tentou lidar com a ausência e o desgosto da perda, mas nunca conseguiu ultrapassar essas dores que doíam dentro do peito.
Lembrou-se dos passeios que gostaria de ter dado por entre flores e caminhos bonitos; das prendas que queria ter recebido; dos momentos que ansiava ter partilhado. E o vazio que sentia.
Depois de disparar nos seus corpos indefesos aproximou-se dela e contemplou-lhe o rosto, era bonita. Baixou-se um pouco para lhe tocar nos cabelos e sentir como eram macios e cheirosos.
Antes de se levantar passou os dedos pelo contorno do rosto e disse baixinho: mãe.
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