Ela chega com ar confiante à sala da livraria onde iria ter lugar a apresentação do último livro de um escritor conhecido.
Ele estava sentado num cadeirão castanho perto de algumas estantes repletas de livros, ao seu lado o editor trocava umas palavras com o gerente do espaço.
Entretanto começou a apresentação propriamente dita e os agradecimentos devidos. Por fim, o escritor deixou tempo livre para os presentes colocarem questões antes dos autógrafos tão desejados.
Ela aproveitou a oportunidade e o momento:
- Boa tarde, li o seu livro e tenho uma pergunta para lhe fazer.
-Boa tarde, obrigado por ter vindo. Responderei com todo o gosto!
-Qual é o motivo pelo qual o seu livro é tão machista, tão redutor no papel da mulher na sociedade e nos retrata como seres desprovidos de inteligência?
-Bem, é apenas uma história, é ficção. Não tenho absolutamente nada contra o sexo feminino. Muito menos tive intenção de magoar alguém. Lamento se o fiz.
Ela levantou-se e saiu. Ele ficou incomodado, mas sorriu e assinou os livros dos admiradores.
Mais tarde, no seu quarto de hotel lembrou-se da raiva daquela mulher e da amargura no seu olhar. Recordou também como era bonita e como as veias salientes do seu pescoço lhe conferiam um ar de guerreira.
Na manhã seguinte numa esplanada da cidade ela estava sentada embrenhada na sua leitura quando ouve o arrastar de uma cadeira perto da sua mesa. Era ele! Olharam-se e sorriram. Ele pediu desculpa e prometeu que no próximo livro ela seria a protagonista. Ela riu com vontade e pagou-lhe um café.
Muitos livros escreveria ele ainda com a sua musa ao lado!
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