Tanta vez chorara que já não corriam lágrimas,
corria dor,
corria solidão
e desilusão.
Ela olhava os outros:
as mãos entrelaçadas,
os carinhos,
os abraços apertados
e pensava como gostava que aquela fosse a sua realidade.
Estava só
e só continuava.
Seria esse o seu destino?
Seria assim para sempre?
Pensava em algumas pessoas,
umas que tinham entrado na sua vida,
outras que não o chegaram a fazer,
quem partiu por opção,
quem não pôde ficar,
quem ela não quis que ficasse.
Reviu na memória momentos a dois,
fotos tiradas,
sorrisos sorridos,
lágrimas choradas,
sonhos destruídos,
vozes alteradas,
carícias perdidas
e sentiu-se estranha
num misto de tristeza e alegria
que eram difíceis de dissociar.
Era ela própria com qualidades e defeitos,
mas com a sua personalidade,
o seu modo de tratar bem os outros,
de cuidar num jeito quase maternal.
Talvez cuidasse tanto de todos que se esquecesse de si.
Este era o momento certo para deixar de olhar por eles e elas,
afinal bem perto estava alguém que precisava de carinho e atenção:
ela própria.
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