Sei que és um homem muito ocupado. Sempre foste! O teu trabalho, a família e os amigos são importantes para ti. Eu também sou da tua família, mas é diferente porque sou a mãe velhota que já não serve para nada nem te pode ajudar daqui do lar.
As reformas são pequenas, não é? E tu com tantos encargos sabia-te bem ter um dinheirinho extra. Desculpa não poder fazer nada para mudar a tua situação.
Eu estou adoentada, os médicos dizem que é grave e, por isso, lembrei-me de te deixar esta carta para não estranhares se algum dia chegares aqui e eu não estiver. Não te contei mais cedo para não te preocupar, já tens a tua vida para dares conta e não quero ralar-te com insignificâncias!
Na gaveta da cómoda da sala lá em casa está a caderneta do banco daquela conta de que és titular. O pouco que tenho é teu, de quem haveria de ser? És o meu único filho.
Desejo que a vida seja tua amiga.
Amo-te,
mãe.
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