Enquanto passavas com o teu ar de senhor
uma mulher lamentava ter-te perdido
e tu nem sabias
ou fingias não saber.
Do alto do teu trono falso
olhavas os outros com um sorriso,
não a olhavas como ela merecia,
como desejava.
Ela chorava e tu rias,
ela entristecia-se e tu alegravas-te com as delícias da tua vida
e o que conseguiste com o teu esforço.
Por mais que ela se esforce
não tem os mesmos resultados,
a mesma segurança
a mesma paz.
Nunca entendeu porquê,
talvez nunca entenderá e é isso que lhe dói tão profundamente
como uma faca cravada no estômago,
como um nó que a impede de respirar.
Quando se cruzavam ele olhava-a como alguém que já passou pela sua vida,
ela olhava-o como alguém que não lhe saía do coração.
Foi ele que quis que ela se afastasse da sua vida,
apesar dos esforços dela para ficar,
apesar de ter dado de si tudo o que podia dar,
mas não chegou,
começou a pensar que nunca seria suficientemente boa para ele,
que o problema era ela e não o ego dele.
Não se resignou àquela decisão e lutou com as forças que tinha
e as que buscou no seu interior.
Só parou um dia,
muitos dias mais tarde.
Hoje não luta mais por ele,
não sabe se o quereria na sua vida,
talvez não se pensar nas coisas más,
talvez se pensar nas boas.
Mas agora já não vale a pena sequer tentar,
não iriam ser felizes
e ela já viu outra no seu lugar,
sabe que será assim para sempre.
Se o imagina a abraçá-la com força e a beijá-la?
Todos os dias.
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